6.12.08

PSICANÁLISE NA MADRUGADA

PSICANÁLISE NA MADRUGADA

Marcelino Rodriguez

Engraçado. Ocorreu-me agora que tenho muitos textos com madrugada no título, como se fosse uma sina. O caso é que outro dia topei com uma cena inusitada na cozinha. A culpa dessa cena é da lentidão do judiciário brasileiro, onde parece que os documentos a serem juntados aos processos são levados por burros. Um exemplo. Se um advogado mete um documento em Niterói que fica a trinta minutos do rio de janeiro, o mesmo levará dez dias para chegar ao Rio de Janeiro. Inacreditável? pois é assim mesmo que acontece, e a gente enquanto fica na dúvida se é pra rir ou pra chorar vai tomando esse fumo verde e amarelo de tudo quanto é jeito. O Brasil é um país sobrenatural. Então, como ia dizendo, eu fui na cozinha fazer não sei o quê, quando dei de cara com a cena e me senti abjeto...
Um passaporte europeu com documentos em dia, válido para vários países, se tira em 30 dias. Aqui as três ou quatro contas bancárias que minha mãe deixou ainda estão presas um ano e oito meses depois de sua morte; desnecessário dizer que isso me traumatizou a ponto de eu estar pensando em me aposentar da "civilização" assim que receber o dinheiro. Claro que com o dinheiro preso, que o Estado presume que não se necessita dele, cheguei quase na bancarrota. Só não afundei na lama do desespero porque meu pedigree não permite baixar a cabeça nem se estiver sapateando no vômito. Mas perdi a fé, se é que tive alguma vez, em advogados, cartórios e todos os assuntos correlacionados a isso nesse país. Se não fosse levar 987 anos pra ganhar a causa (você quer rir ou chorar?) eu processava o município e os governos estadual e federal por maus tratos. Somatizei e acabei tendo que ir ao hospital público que na televisão funciona perfeitamente. Cheguei às nove da manhã e fui atendido, depois de já estar com uma estranha coloração azul, as duas e quarenta da tarde. Havia pedido um ansioliticozinho pra ver se a insônia melhorava, mas a médica disse que não poderia me dar porque ela não tinha autorização para dar a receita azul. Me senti ultrajado, enganado, pequeno, quase um verme. Receitas médicas com cores. Algum remédio aí doutora? _ "Nada". E nisso, para voltarmos ao evento na cozinha, quando deparei-me com a cena sórdida, invasiva e inusitada, pensei que era o inferno... Claro que com a crise econômica que abateu-me , fazendo com que eu tivesse que cortar minha água mineral francesa Perrier e algumas das 9 espécies de carne que ponho no meu feijão, aquilo poderia acontecer com o passar dos meses... estranho que não lembro mais o que fui fazer na cozinha. Mas eu vi a cena e fiquei lívido, pálido, perplexo. Alguém já disse que toda tragédia vem anunciada? O caso é que um mês depois que uma devassa me abandonasse, os pisos da casa quebraram do nada. Todo especialista em miséria sabe que pisos quebrados trazem poeira e poeira traz bichos sórdidos como insetos de todo tipo e répteis asquerosos, como largatixas. Eu escrevo para entender o terror da vida, creio. Sei que sou um otimista bizarro, capaz de escrever frases como "até as caveiras estão rindo no cemitério". Sim, meu humor é bem estranho. Você poderia perfeitamente me ver na janela do Castelo dos Adams. E a cena da cozinha eu tinha que escrever pra entender. O que eu não consegui entender é porque a cena e a devassa vinham juntas à minha mente. Nâo consigo entender qual a relação do que vi na cozinha com minha ex-namorada. A cena, digna de um oscar do Trash, eram duas baratinhas transando nos azulejos sujos. Fiquei vermelho ao ver aquilo. Um verdadeiro atentado ao pudor, dentro da minha casa. Pensei em abandonar o imóvel para sempre e fugir para a Patagônia, para o gelo, pra não ser humilhado pelas baratas. Não lembro depois da transa das baratas se surtei ou desmaiei; se as matei ou se fui andar na rua. Foi como um apagão. O que não consigo entender de modo algum é o que tem a ver as baratas transando nos azulejos sujos e minha ex-namorada?

Direitos Reservados

2.12.08

TRABALHANDO A CULTURA NO DIA A DIA

Trabalhando a Cultura no Dia-a-dia
Marcelino Rodriguez

Se eu disser como se pode adquirir uma cultura bastante razoável com uns cinco minutos por dia, as pessoas talvez se surpreendam. Vamos imaginar o seguinte. O livro mais importante ao menos pra essa parte do mundo em que estamos, digamos de procedência Cristã, é a Biblia. Não pense que cito a Biblía, embora seja um crente espiritualista, com nenhuma intenção dogmática. A intenção do meu trabalho é apenas a de plantar sementes de crescimento moral e intelectual, dentro da experiência que tenho na prática da cultura e do desenvolvimento pessoal humano. Vamos ficar ,a título de exemplo , com os livros do Novo Testamento, que em geral os Evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João possuem vinte e poucos capítulos. Eu li todo o Novo Testamento dessa maneira: era um capítulo diário. Em menos de um mês você termina um Evangelho. Em menos de dois anos você passa a conhecer todo o Novo Testamento, o que na prática e de maneira subjetiva irá te enriquecer muítissimo com relação a psicologia profunda e ao mundo simbólico do inconsciente. Além do mais, a prática desse pequeno esforço cultural diário irá fortalecer a auto-estima de quem o pratica. As pessoas que possuem a alto-estima mais elevada são aquelas que fazem um esforço consciente para crescer. Citei a Biblía para mostrar a simplicidade do método, porque além de ser o livro mais importante, a Biblía é por si só uma cultura e uma fundadora de culturas. Uma pessoa que viva num país que tem uma crença predominante e não conhece as bases dessa crença é uma pessoa ignorante, egoísta, que só se interessa por si mesma. Aliás, os intelectuais e líderes superiores sejam cientistas ou artistas possuem um conhecimento global e eclético, ainda que externem uma ou outra opinião. Finalizando: quem diz não ter tempo pra ler, mente. Cinco minutos é o suficiente pra que em pouco tempo uma pessoa aprenda bastante coisa todos os dias. Os país e mestres que adotarem esse método a seus jovens estarão plantando sementes extraordinárias para o futuro.
TRECHO DE FORMANDO UM PAÍS DE LEITORES

2.11.08

O SOL DA MEIA NOITE

SOL DA MEIA NOITE
Marcelino Rodriguez
Os meus já se foram. Os que ficaram não são meus porque se traíram. No momento que escrevo isso, faltam exatos sete minutos para a meia-noite. O silêncio tece para mim a sua teia; acolho-o. Hoje pela manhã eu via extasiado num misto de melancolia com uma misteriosa saudade um slide sobre a Noruega. Montanhas e rios formando junto com as construções humanas um poema perfeito. Casas coloridas e opulentas. Fiquei imaginando "que povo organizado esse" e entristeci. E fiquei com a metáfora do sol da meia noite na alma. Aqui a "justiça" está em greve há mais de um mês, ou quem sabe a quinhentos anos. A justiça não tem ao que parece compromisso com o povo. Não imagino aqueles funcionários que abandonaram a população que paga seus impostos reivindincando nada mais que não sejam seus interesses. A miséria de toda ordem cresceu no Brasil. Estamos ilhados, solitários, fragmentados. Dentro de mim o pêndulo oscila entre o desespero e a esperança. Viver também é construir coisas coletivamente, gozar a convivência. Lá no fundo da alma eu tenho saudades da ordem e da felicidade. Acho estranho essa falta de comunicação, de afeto e a agressividade das gentes. O brasileiro na maior parte ainda não aprendeu a apreciar a vida, nem as pessoas. Passei um dia planejando um programa de engenharia humana para esse país. Dará certo? Não sei. Lançarei a semente. Talvez esteja condenado a plantar, também para salvar-me um sentido. São agora meia noite e dezesseis. Sinto-me como um farol perdido no meio do mar. Ou a torre de uma igreja extinta no deserto. Ou talvez quem saiba seja eu o sol da meia noite da cor de um crepúsculo velando sobre o país adormecido. Direitos Reservados

25.4.08

METAS DE LEITURA NA EDUCAÇÃO

METAS DE LEITURA

Marcelino Rodriguez


O Brasil nunca será um país nem sequer perto de funcionar relativamente a altura dos bens, serviços e valores que a civilização já´produziu e produz senão começar desde já a se preocupar com o baixíssimo indice de leitura da população (hoje lê-se per capita no país menos de 2 livros ano), sendo esse o principal déficit educacional da população em todos os níveis, com repercussão negativa no desenvolvimento em todos os setores da vida nacional. Não existe país desenvolvido com mentes subdesenvolvidas e o hábito da leitura é inquestionavelmente fator determinante no desenvolvimento integral do indíviduo, o qual desenvolve as qualidades superiores tanto do intelecto quanto da sensibilidade, além de aguçar os sensos critico e criativo, imprescindíveis para a excelência seja em que função for que o indíviduo venha a exercer suas habilidades humanas. Como sanar esse grave e dramático problema, verdeiro buraco negro do ensino e do homem brasileiro? Nada de muito complicado. Basta fazer metas de leituras no ensino fundamental e médio, que é a fase de formação do indíviduo, mais ou menos entre os sete e quatorze anos que é quando se instalam os hábitos. Que tal de modo experimental seis livros anuais para cada série? Isso já melhoraria substancialmente e triplicaria o atual indíce. Não é um projeto caro nem tampouco complexo, basta apenas bom senso e vontade política do ministério da educação e dos educadores. Somente com leitura diversificada o individuo tem uma educação integral e não meramente técnica como hoje em dia. Aprender um sistema, seja qual for, não é ter a inteligência evoluida. A imaginação e a sensiblidade é que são fundamentais seja no direito, na arquitetura, medicina e demais profissões. Com sujeitos leitores ter-se-á uma qualidade de vida compatível com os bens que a civilização já produz. Sem leitura, impossível. Ao contrário do que pensam os otimistas, quem não tem o hábito de ler sequer é capaz de reconhecer a própria ignorância. Que se trabalhe então para se corrigir esse verdadeiro cancer educacional do brasileiro, que se estabeleça nos ensinos médio e fundamental a prioridade de formar estudantes leitores, com metas e tudo, para que num futuro de décadas adiante o Brasil possa vir a ter a esperança de um dia contar com um povo preparado para os desafios e conquistas da civilização. Direitos Reservados. Abril, 2008

9.4.08

A QUEDA DO AMÉRICA, LUTO NO FUTEBOL BRASILEIRO

A QUEDA DO AMÉRICA, O LUTO NO FUTEBOL BRASILEIRO


Marcelino Rodriguez

Esse seis de Abril ficará marcado para sempre
como uma página melencólica do futebol brasileiro,
com a queda do carismático clube de Campos Sales,
o único Campeão dos Campeões,
vitima da decadência de valores que ano a ano afunda
o futebol brasileiro e mais particularmente o carioca,
num grande e sujo mar de lama. Esse ano ano o requinte
da crueldade e da mau caratismo chegou ao auge do inacreditável.
Uma parte grande da imprensa com a tatica nazista de repetir
uma mentira até que se torne verdade, elegeu quatro
agremiações, o "quarteto fantástico" com o privilégio
de jogarem seus jogos apenas em seus domínios, coisa inédita
no futebol mundial. De um inacreditável cínismo. O mais estranho
é o eleger-se os "grandes" antes mesmo de saber quem é o GRANDE vencedor
da competição. Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra.
Quando o Vasco venceu o primeiro campeonato, o América já tinha
sido campeão três vezes. Mas a atual impressa, desprovida de cultura
e senso de Tradição , vivendo do descartável e da carniça como abutre
ao invés de denunciar o patético e decadente futebol do rio
que já vitimou outros clubes simpáticos da capital como Campo Grande,
Bangu, Bonsussesso, OLaria, São Cristovão, tornou-se um campeonato
de cidades patrocinadas por prefeitura e mais o quarteto fantástico,
com bem pouco lugar para o América que aceitou erroneamente tal/
regulamento patético e vem lutando para tentar manter sua grandeza
mesmo encarando a máfia das arbitragens. Quem esquece a Taça Guanabara
de 2006, quando não fou dado o penalti a favor do América e o horroroso
time alvinegro humilhado em campo batia covardemente nos rubros? e o juiz fingiu que
não via nada? Bobo é quem se ilude. Acabou-se os tempos de romantismo
no futebol , onde o GRANDE se via era em campo e onde a ética
, a paixão e o espírito esportivo falavam mais alto. Em 1987 o América
que era fundador da CBF , terceiro colocado no brasileiro foi rebaixado
não em campo, como também não foi rebaixado em campo nesse domingo.
O América foi rebaixado pelo regulamento, como em 1987. Pouca gente
percebeu que jogando em seu estádio o América só perdeu um jogo.
Mas enquanto o quarteto fantástico jogava somente em seus domínios, o
gigante de Campos Sales ia a Macaé, Bacaxa, Campos e por ai vai. O América
começou ser rebaixado quando aceitou ser tratado
de forma injusta com
sua grandeza dentro e fora de campo.
Perdeu a chance de tirar a máscara do quarteto farsante, onde
as viradas de mesa os mantém não poucas vezes nas divisões principais.
Sou a favor e farei carga para que o América não dispute
mais um campeonato onde ele seja tratado de forma não condizente nem
com a realidade que dirá com sua grandeza. Sou a favor que seja criada
uma nova liga com os times do interior e os outros clubes cariocas
refundando o campenato carioca, deixando que o quarteto fantástico
joguem entre si somente, até que acabem e se extinguam. O Campeão dos
Campeões caiu em Friburgo, com torcedores de fluminesse, flamengo e
vasco e outros entre nós. Os verdadeiros torcedores que acompanham a história
do futebol sabem que sem o América , sete vezes campeão, vice outras
tantas, o campeonato do rio perde muito de sua graça, senão toda sua
graça, pois o América não é apenas grande, é Gigante de uma história
impossível de apagar. O rio chora. Seu fantasma há de perseguir
a imprensa marrom e os dirigentes do "quarteto fantástico" que se tiverem
um pingo de vergonha vão manter o América no seu lugar
de grande e cativo,
perpétua grandeza do futebol brasileiro e mundial. E aos dirigentes
e torcedores do clube resta não aceitar
mais tratamento nem regulamento
que não esteja a altura do clube. Ou nos tratam
como GRANDES incondicionais
ou não entremos mais em campo. Fiquemos imortais, na história,
Porém erguidos. Como diziam os templários antigos "antes a morte
que a desonra". Esse campeonato
é um esculacho indigno do América
e de sua história.




Rio, 09.04.2008

15.5.07

UM BRASILEIRO INTERESSANTE

OSCAR NIEMAYER, UM BRASILEIRO INTERESSANTE

Marcelino Rodriguez

Eu havia escrito uma crônica sobre o INRI Cristo que acabei perdendo sabe-se lá por qual providência; nela eu dizia, entre outras coisas, que ele era uma das poucas pessoas interessantes do Brasil. Inclusive, numa conversa que tivemos, achamos que o próprio número de salvos segundo a Bíblia são alguns milhares, o que já acho muito. Não confio em gente. Ando misantropo e arredio. Rezo apenas pelas pessoas de boa vontade, uns dois por cento da espécie humana, e o resto por mim pode ir tranqüilamente pro inferno. Deus devera estar providenciando um anexo. Outro dia três meninos com menos de onze anos estavam dormindo em frente a uma loja de roupas. Eles querem ajuda, claro; se quisessem morrer , não iriam cair onde houvesse tanto movimento. Entrei na loja e tentei fazer com que as vendedores e a gerente se dignassem a ligar pro conselho tutelar, alegando que eram criança, menores, mas a prostitutazinha do mercado babilônico dizia que o telefone dali só recebia, fez pouco caso e em nenhum momento mostrava um pingo de compaixão pelos três meninos. Com pouco mais de quinze e já é completamente imprestável. Que linda juventude! ...Fico vendo as entrevistas dos programas dominicais e numa delas O Oscar Niemayer dizia que nada é importante, fora tentar melhorar o mundo de bosta. Que a vida nada mais é que um sopro, e passa rápido. E contou emocionado de um garoto que ele ajudou tirar da rua e que um dia ligou pra saber da saúde dele.Tá ai, acho que Niemayer não cabe no inferno. Com 100 anos, é jovem e lúcido.

DIREITOS RESERVADOS

4.5.07

A ESTÉTICA PESSOAL

A ESTÉTICA PESSOAL

Marcelino Rodriguez


Viver é uma missão, uma aventura e uma imensa responsabilidade que as pessoas no mundo moderno pouco se importam com a estética pessoal, o autoaperfeiçoamento. As pessoas se exigem muito pouco hoje em dia. O cuidado nas maneiras, nas palavras, parece uma arte perdida no fundo do tempo. No entanto, esculpir nosso próprio ser a máxima perfeição possível não seria uma obrigação? Sim, muitos se acomodam dizendo que a perfeição” não existe”, mas existe um esforço a ser feito para que nos tornemos melhores, o próprio curso da vida nos obriga a sermos mais responsáveis. Quando Cristo disse “Sedes perfeitos como vosso pai do céu é perfeito” – e que quem o amasse de fato seguiria suas palavras - ele foi claro e objetivo. Existe algo a ser feito em nosso ser. Não estamos aqui na vida apenas para desfrutes sensuais. Estamos cercados de eventos e circunstâncias que pedem nossa contribuição. Ninguém é verdadeiramente interessante sem ser interessante, nem chegará num mérito no mundo espiritual sem esforço. Esforço em corrigir nossas debilidades; esforço em tornar a fala e os gestos mais graciosos; esforço em pensarmos mais em conhecimento e beleza; para sermos realmente dignos de sermos chamados de filhos de Deus, temos que ser dignos de pisar sobre a terra e caminhar sob as estrelas. Anda esquecido de muitos dada a ferocidade dos tempos, a arte da cortesia. No entanto, sem ela somos indignos de mérito humano. Ninguém chegará a gozar certos deleites na espiritualidade senão fizer uma reforma em si mesmo e não se comprometer a entregar ao criador uma obra nossa, talhada com nosso próprio esforço. Criamos o mundo com Deus. Sejamos dignos disso. A estética pessoal faz parte da nossa matéria a ser aperfeiçoada na terra.

Trecho do livro Bonecos de Deus

2.5.07

DEUS ESTÁ NO OUTRO

DEUS ESTÁ NO OUTRO

Marcelino Rodriguez



A maior armadilha e maior cegueira que pesa sobre a humanidade é o egocentrismo, a ilusão do eu e a vaidade pessoal. Don Giussani, padre genial do catolicismo e fundador do movimento comunhão e libertação pregou isso e estabeleceu um novo carisma na Igreja Católica. Só existimos em interação. Nenhum homem é uma ilha. São verdades que todos nós sabemos, mas pouco praticamos. Vivemos como nunca talvez na história humana os valores cegos do sexismo e do individualismo, numa sociedade descartável e fria. No entato, se nos perguntarmos “o que estou fazendo aqui”? Ou “como posso resolver minha situação”? Vamos sempre perceber que sozinhos, nada podemos. Seja profissionalmente, seja afetivamente, seja socialmente todo sonho nosso de encontro vai estar no outro, que é como Deus pode revelar-se de maneira mais inteligível, através do próximo. Então, por que não orientarmos os padrões afetivos para dar o melhor de si ao outro? Quem quer que tenha Deus honestamente em sua vida, que já possua uma vida interior, que é a verdadeira vida, uma vez que quando queremos buscar nos outros apenas aspectos exteriores e vantagens materiais não os vemos mesmo na sua singularidade e valores humanos, fazendo com o próximo apenas “contratos físicos” perdemos sem dúvida o mais precioso, a “essência”. Quando Cristo disse “Onde dois ou mais estiverem em meu nome” ali estarei, ele quis dizer estarem juntos não exteriormente apenas, mas em sentimentos, em respeito, em amor e reverência pelo encontro. A maioria das pessoas que sofrem de depressão são pessoas egoístas, que nada querem dar de si. Nunca ouvimos dizer que uma pessoa que dedique sua vida em prol de seus semelhantes estivesse deprimida. Se Deus está no outro, que é onde vem a revelação da nossa vida e destino, porque tanto egoísmo? Tanta cegueira? Muito simples, ignorância. Quanto mais egoísmo, mais vaidade, mais ignorância. E quem vê seu próximo apenas como coadjuvante de sua vida, perde a grande oportunidade do encontro. Egoísmos não se enxergam, nem se relacionam,apenas se esbarram. Somente quando abrimos mão do egoísmo primitivo e vemos o outro em sua singularidade humana, deixamos de ser egos cegos e passamos a ser indivíduos.

Direitos Reservados.

26.4.07

Cronica do Bob

O MENINO DE SUA MÃE, CRONICA DO BOB

Marcelino Rodriguez



Sempre acreditei que uma imagem vale mais que mil palavras, embora as ironias do mundo me fizesse um homem de palavras. Mas são sempre as imagens que me comovem. Já me disseram (e dói-me lembrar quem) que sou como o garotinho do desenho animado, o Bob. Aquele que imagina tudo que falam pra ele. Foi o apodo mais perfeito que já tive , acho. E dos mais carinhosos.
Lembro-me que ela dizia pra eu amarrar uma cordinha no pé pra não sair voando.
Claro, a terra anda rasteira. E parece que sou o último leitor do “Pequeno Príncipe” e outros livros desse nível sentimental. Sou capaz de ver as presas por trás de sorrisos e olhares. Estranho mundo. Mas acho que os anjos se divertem com minha ingenuidade.
O caso é que quando lembro do Bob, lembro dela.
Ela inventou o Bob pra mim, e em dias de malcriação eu e chamava de mamãe. Quantos séculos de solidão passamos nesse breve mundo, até que descubram nosso coração.
E de vez em quando ao ver uns cabelos compridos e um corpo esguio , o coração dá um pulo. Seria a mamãe?
Bem, o caso é que sou mesmo o Bob.
Mas acho que pensam que sou um intelectual de primeira categoria, ou um perfeito Nerd. Ou quem sabe ainda um enganador estelionatário. Tem lugares até que revistam minhas bolsas, como se eu fosse o Bin Laden. Os bancos tem medo de mim.
Neném, mamãe, dá pra explicar que sou apenas o Bob?

26.04.2007

Direitos Reservados

16.4.07

A MADRUGADA A MINHA ESPERA

MADRUGADA À MINHA ESPERA, MEU REFÚFIO, MEU REGRESSO
Marcelino Rodriguez

Um leitor me pergunta, entre outras coisas, porque divido meus pensamentos. Eu poderia dar mil respostas prontas e óbvias. Mas não darei. Fez-me pensar no assunto, agora que já sei que vou ter mais uma deliciosa insônia pela frente. Terei tempo. Tenho visto o dia amanhecer muitas vezes. Tenho desligado o PC num minuto e ligado no outro. Tenho sentido de perto o perigo da fronteira, ou das fronteiras. Como dizia Neruda: “Tudo em ti foi naufrágio”. Meu caro! Deus é minha ferida. Ele vem a minha janela, entra pelo vento, acarinha-me mortalmente. O mar? Sabe, o mar me conta segredos, as flores me sorriem. Um poema leva-me ao infinito. Posso dizer, sem exagerar, que tenho o universo na ponta dos dedos. Mas Deus dói, sobretudo se é estrangeiro. E Deus é estrangeiro nesse mundo. Pergunte aos homens... E assim ficamos os dois exilados. Fora isso, tem a noite larga que não me deixa dormir, excesso de café ou de solidão talvez. Eu não queria dizer... talvez seja medo. Mas nem tudo posso contar... Eu vi o naufrágio... Cai no mar e agora nado. Nado. Nado. Nado. Minhas crônicas são minha defesa, minhas guarrafinhas... as baladinhas românticas todas me comovem, e a responsabilidade pelo mundo do crucificado pesa-me nos ombros. Sei que perdi, sei que me perdi e sei que posso perder. A qualquer momento posso receber o golpe fatal. Mas estarei valente. Isso eu devo a mim. Além do mais a noite longa gosta de uma conversa, senão me deixaria dormir. Se soubesses do silêncio... pensa num barco solitário, ele vai vai vai de mansinho nas águas com a lua por cima. Tudo em volta é de azul veludo. Tudo em volta é eterno. Eu sou esse barco. Eu sou aquela lágrima. A metáfora. O filme. O delírio. A marcha patriótica que nunca fui.... Sobretudo eu vi o amor abandonado. Eu sou o amor que ficou. Entendes? Escrevo para construir na destruição. O menino do Império do Sol, não esqueço dele tentando um acordo com os inimigos... Sabe, gosto dos anjos. Angel. Angeles de cabelos dourados me sussurram... olho ao lado, não é ninguém. Será impressão ou milagre? Ela me sorriu muitas vezes e tudo estava explicado... não podia ser mentira... aquele livro que sonhei talvez nunca venha a escrever.... cheguei a pensar a capa... Bem, meu caro! Na verdade escrevo para resistir. È uma guerra. Se eu ficar na cama olhando o teto, ele cai. Percebe? Meu peito é violento. Acho que sou carente e gosto de chocolate quente. Já vi aquele filme Meu Primeiro Amor umas três vezes. Você conhece? Sabe aquela coisa que sempre quiseste saber e quase, quase, quase? Escrevo por isso, por esse quase, quase sempre. Eu sou esse quase. Ou um excesso de misericórdia. Ou amor, simplesmente. No amplo e potentíssimo sentido da palavra. Direitos Rservados

11.1.07

O Desfuncionamento Do Brasileiro

O Desfuncionamento Do Brasileiro

Marcelino Rodriguez


Bem, como a educação do Brasil só forma consumidor pro mercado, ele vive numa guerra corpo a corpo pela sobrevivência no espaço. Todo quase sempre "entende de tudo", de futebol ´`a "política internaciona"l. Ninguém quer parecer burro,
mas ninguém quer fazer esforço pra saber de fato. Vida de faz de conta. Ai Voce pega um ônibus e o trocador só sabe passar o troco, mas não sabe pra onde está indo. 999 entre cada mil brasileiros não sabem quem foi Cervantes, por exemplo. Não existe cultura nessa educação fajuta. Os professores são bebedores de Chopp e expectatores do Big-Brother. Ai todo mundo fala mal do governo, mas não se ajuda quem merece nesse país. Quem faz algo de bom aqui deveria ganhar um nobel, pois pra ajudar o Brasil tem que, antes de tudo, vencer o subdesenvolvimento da população em todos os escalões. Vive-se um individualismo bárbaro, cada um defendendo seu pirão enquanto nos sinais os pivetes sinalizam o perigo. Ninguém sabe nada, nem onde fica o país, perdido com 1/3 de água potável do planeta... ò pátria tão distraída.

Direitos Reservados

http://educacaoparabrasileiros.blogspot.com/

4.12.06

AS ROSAS DE SHALOM - Marcelino Rodriguez

AS ROSAS DE SHALOM, DANIEL MY BROTHER

Dedicado à Luciana Cury

Marcelino Rodriguez


Uma amiga diz que está mandado-me "As Rosas de Shalom". Digo-lhe que nunca recebi Rosas e ela diz ficar emocionada.Verdade. Nunca recebi rosas. Fui eu que fiquei só na noite mais fria,sem ter recebido o mínimo investimento, abandonado por tão pouco, por tão menos, por tão nada.Fui eu que quando mais precisei, fiquei com a tristeza mais pura, tropeçando sem jeito na terra por ter acreditado em palavrasvãs. Fui eu que fui ouvir Jackson Five somente pra lembrar que fui menino um dia e a maldade não me atingia tanto. Fui eu que fiquei sem jeito. Fui eu quem carregou toda dor, toda desilusãopesando por dois mil anos. Fui eu, fui eu, fui eu. Eu que preocupei a meus amigos com a tristeza crescente.Eu que matei a primavera. De tudo, eu tive as lágrimas.Mas só eu possuo a chave, a glória dessa dor. Eu amei o difícil.Lutei pelo impossível. Lutei contra mim. Todo valor foi desprezado.Os sonhos despedaçados, choraram. E o vale de dores se abriu, infinito.E caminhei e caminho, dia e noite, sabendo quase tudo de tudo.Sempre soube que me chamava Daniel e que estava na cova dos Leões.

Direitos Reservados

14.9.06

PALAVRAS DO FRONT
Manhãs de Setembro - trecho de Bom Dia, Espanha! -

Marcelino Rodriguez
Deixa eu te dizer minha Bela, algumas palavras aqui do meu exílio, onde o frio anda tão grave quanto a solidão. Alguns anos atrás, havia uma cantora que cantava “As manhas de setembro”, a Vanusa, te lembras? Pois e´. Nesse tempo, eu era um menino e como dizia a musica, “ eu coloria as flores”. Acreditava em muita coisa; acho ate´ que era feliz, embora eu não goste dessa palavra. Havia família ao meu redor, porque quando somos crianças, acredito que a sorte nos chegue de uma forma mais poe´tica, mais colorida. E o sucesso não nos e´ imposto como uma religião. Havia amigos, porque naquele tempo a solidão ainda não tinha se instaurado de forma tão brutal como hoje existe entre os homens. As pessoas se respeitavam mais porque Vanusa ensinava os vizinhos a “amar nas manhas de setembro”. Eu era sonho e luzes; potencia e esperança. Acreditava no amor como em Deus, via as mulheres como criaturas boas e frágeis. Enfim, tudo era tão puro para mim, quanto era meu coração. Sim, minha Bela, tudo isso nos anos seguintes foram caindo, como um castelo de cartas ao vento. O mundo não era o imaginado; as pessoas pouco se ajudam a sobreviver, estragam seus amores, inventam religiões e deuses ale´m do necessário, se perseguem e se matam, por vezes, tudo isso perfeitamente dentro das leis humanas. Com tudo isso, fiquei só num território imenso. Hoje já nem sei mais qual meu pais ao certo, ou onde me levara´ o meu destino, sob qual bandeira irei defender-me. Tudo me parece tão feroz. Confesso que ando com muito frio, e quando chegam mensagens suas e´ como uma visão de um campo de flores ao longe. Eu gosto de ver e ler. Daqui eu não me exponho porque deves imaginar a melancolia de quem vive no front da guerra. Acho muito peculiar e consolador que um soldado relembre que existe ainda alguma beleza e candura na terra; podes acreditar, dentro desse deserto que tenho vivido, com combates de golpes baixos e sem beleza, lembrar sua fisionomia, a extensão de seus cabelos e a abertura de seu sorriso, sua prosa, faz-me recordar que ainda estou vivo e que meu coração e´ capaz ainda de perceber algum encanto, apesar de tudo que me cerca aqui e adiante, nas leis internacionais de infelicidade que os homens criaram. E´ sempre, receber mensagens suas, como tomar um chá´ bem agasalhado, estando a temperatura baixa. Só Vanusa não canta mais, nem se faz mais música como antigamente. Mas meu setembro fica melhor quando alguém se lembra de mim, ainda que de leve. Principalmente se fores tu; porque do resto minha bela, eu tanto esqueci quanto fiz questão de ser esquecido. Porque tens sido suave, te dou, mesmo aqui do front, o que me resta de delicadeza com gratidão. 03/09/2003

Uma leitora gostou desse texto do livro Bom Dia ,Espanha e por isso estou postando aqui.

18.7.06

AINDA ONTEM ELA SORRIA

AINDA ONTEM ELA SORRIA
Marcelino Rodriguez

Noite fria. Solidão. Meu Mel viajou. O coração no exílio navega com Barbra Streinsend. Mar calmo, fundo e triste. Pensar que ontem ela me acordou com um sorriso. E que tão funda e feliz foi a impressão de vê-la pela manha que virei o rosto com vergonha que ela visse a intensidade do meu amor. Por que o amor nos mete medo? Sim, eu vi o mundo inteiro naquele sorriso. Queria dizer obrigado talvez. Por que ela sorria?Terá achado graça de ver-me dormindo? Agora tão longe e o mundo tão sem cor. Disse-me que precisa pensar. E se pensar errado, ou pouco, ou muito? Vejo-a além do tempo. Sinto a eternidade com ela. Pode o peito nos trair? Pode uma ilusão ser tão exata?O abraço de Mel, seus cabelos longos no travesseiro. Metáfora de Deus pra mim. E agora jogo xadrez com a solidão. Deixou-me um presentinho. Ela volta. Sim. Sei que volta...Senão de nada vale meus sentidos, nem meus sentimentos, nem meus instintos. Senão toda criação estaria errada e as estrelas despencariam do céu. O sol ficaria negro. Na verdade eu gostaria de dizer aqui o que não posso. O que não cabe.Entre a linguagem e o amor existe um abismo.Ou talvez seja tudo uma saudade...Canta Barbra. Me ajuda sobreviver...Ainda ontem ela estava aqui e sorria...Isso que bate ainda aqui será meu coração? Sim, o biológico. Mas o que há dentro dele vive em outro lugar. Só ela tem a chave. Minha liberdade e minha prisão nas mãos de uma mulher. Ninguém se pertence. Somos todos, maravilhosamente, filhos do amor. 14.07.

27.6.06

O QUE É EDUCAÇÃO?Marcelino RodriguezTenho andado por ai, nessas margens e esquinas que nos leva a vida de literato que vive em países periféricos estudando atentamente as razões e desatinos das gentes. Assombra-me a falta de senso dos mais elementares mesmo nos supostos formados nas melhores universidades, porque a ignorância mascarada com algum saber é a pior que existe. Então seria bom, como a maioria das gentes não quer mesmo fazer esforço, definir o que é educação. Uma vez que tenho encontrado gente muito pouco distinta ou seja porque são desagradáveis no tato, ou seja porque embora falem efetivamente palavras bonitas ou pérolas filosóficas, na verdade não estão nem aí para o país ou para seus semelhantes. Ou seja, inúteis e feios pavões.Lembro-me que quando era menino mais pequeno havia um programa na rádio que dizia assim com uma música sonora ao fundo “ quem não vive para servir, não serve para viver”.Essa metáfora creio que ficou quase que como uma religião inconsciente na minha pessoa. Julgo uma pessoa por sua utilidade social. Não a utilidade que ela tenha por si própria e pense que é o bastante para o corpo social. Ou seja, a professora que dá sua aula burocrática , ganha seu salário e pensa que serve a nação, ou os advogados do direito torto, ou os intelectuais pedantes a quem falta o Dom de saber que vivemos todos num planeta doente e que a única grandeza que há aqui é reconhecermos nossa própria miséria e incompetência.Andei fazendo uns estudos sobre a riqueza. A coisa mais difícil de criar é a escassez, uma vez que o principio regulador da natureza é a abundância. Os humanos conseguem isso. Notadamente nos países do capitalismo periférico, a irresponsabilidade social das gentes chega ao descalabro, daí que vemos crianças catando lixos as vistas das janelas gradeadas de condomínios luxuosos. As pessoas em geral gastam com futilidades, mas passam por cima dos necessitados com uma indiferença que beira a demencia; ou seja, não se distribui nem se retribui renda.O raciocino é individualista , primitivo, bisonho.Ninguém quer dar nada.As pessoas exigem de si o mínimo e se pensam o máximo.Não apoiam as boas iniciativas de seus semelhantes, com isso quebram a economia (que funciona como no efeito dominó) e agindo de formam irresponsável e corrupta, gritam que o governo é o culpado.O Diabo chupa manga nos países periféricos.Os professores escondem o que sabem.Falta vontade, falta disciplina, falta honra.Os homicidas inocentes vivem nos fóruns e academias com “reputações ilibadas”.Cada religião tem um Deus.Faz-se comércio da terra, da água, do fogo e do ar, mas ninguém passa bem.Os abutres se fartam na estupidez. A mesa dos tolos é tão farta quanto a dos ladrões ricos, porque os ladrões pobres morrem em sistemas prisionais hediondos.Por isso, nessa quadra da vida, em que não me iludo mais de achar santos ou honestos na terra ( salvo as honrosas excessões de dois por cento), sobretudo nos países periféricos e irresponsáveis ( todo homem é um suspeito em potencial ) resolvi dedicar-me a escrever minhas piadinhas de humor negro e que se lixe a “ignoranssa. “ Não vou gastar meu latim com quem não me paga.Ia esquecendo de dizer: “educação é bondade”. Quem não é bom, pode ser o que for aos olhos do mundo, mas diante da vida não passa de um patife.Então procure ver a quem Senhor serve seu Irmão.” Quem não vive pra servir, não serve pra viver.”Antes que me perguntem o que são países periféricos, digo que são todos aqueles em que os cidadãos podem chegar a miséria absoluta sem que seus cidadãos se importem.