16.4.07

A MADRUGADA A MINHA ESPERA

MADRUGADA À MINHA ESPERA, MEU REFÚFIO, MEU REGRESSO
Marcelino Rodriguez

Um leitor me pergunta, entre outras coisas, porque divido meus pensamentos. Eu poderia dar mil respostas prontas e óbvias. Mas não darei. Fez-me pensar no assunto, agora que já sei que vou ter mais uma deliciosa insônia pela frente. Terei tempo. Tenho visto o dia amanhecer muitas vezes. Tenho desligado o PC num minuto e ligado no outro. Tenho sentido de perto o perigo da fronteira, ou das fronteiras. Como dizia Neruda: “Tudo em ti foi naufrágio”. Meu caro! Deus é minha ferida. Ele vem a minha janela, entra pelo vento, acarinha-me mortalmente. O mar? Sabe, o mar me conta segredos, as flores me sorriem. Um poema leva-me ao infinito. Posso dizer, sem exagerar, que tenho o universo na ponta dos dedos. Mas Deus dói, sobretudo se é estrangeiro. E Deus é estrangeiro nesse mundo. Pergunte aos homens... E assim ficamos os dois exilados. Fora isso, tem a noite larga que não me deixa dormir, excesso de café ou de solidão talvez. Eu não queria dizer... talvez seja medo. Mas nem tudo posso contar... Eu vi o naufrágio... Cai no mar e agora nado. Nado. Nado. Nado. Minhas crônicas são minha defesa, minhas guarrafinhas... as baladinhas românticas todas me comovem, e a responsabilidade pelo mundo do crucificado pesa-me nos ombros. Sei que perdi, sei que me perdi e sei que posso perder. A qualquer momento posso receber o golpe fatal. Mas estarei valente. Isso eu devo a mim. Além do mais a noite longa gosta de uma conversa, senão me deixaria dormir. Se soubesses do silêncio... pensa num barco solitário, ele vai vai vai de mansinho nas águas com a lua por cima. Tudo em volta é de azul veludo. Tudo em volta é eterno. Eu sou esse barco. Eu sou aquela lágrima. A metáfora. O filme. O delírio. A marcha patriótica que nunca fui.... Sobretudo eu vi o amor abandonado. Eu sou o amor que ficou. Entendes? Escrevo para construir na destruição. O menino do Império do Sol, não esqueço dele tentando um acordo com os inimigos... Sabe, gosto dos anjos. Angel. Angeles de cabelos dourados me sussurram... olho ao lado, não é ninguém. Será impressão ou milagre? Ela me sorriu muitas vezes e tudo estava explicado... não podia ser mentira... aquele livro que sonhei talvez nunca venha a escrever.... cheguei a pensar a capa... Bem, meu caro! Na verdade escrevo para resistir. È uma guerra. Se eu ficar na cama olhando o teto, ele cai. Percebe? Meu peito é violento. Acho que sou carente e gosto de chocolate quente. Já vi aquele filme Meu Primeiro Amor umas três vezes. Você conhece? Sabe aquela coisa que sempre quiseste saber e quase, quase, quase? Escrevo por isso, por esse quase, quase sempre. Eu sou esse quase. Ou um excesso de misericórdia. Ou amor, simplesmente. No amplo e potentíssimo sentido da palavra. Direitos Rservados

2 comentários:

laura disse...

tao triste, tao lindo...

Neuza Maria Spínola disse...

Marcelino, recebi um e-mail repassado por uma amiga com um texto seu falando sobre o Brasil. Esta é minha preocupação também. Vejo um Brasil lindíssimo, rico, cheio de condições e destruído por um povo ignorante, que de longe se preocupa em ser melhor. Por uns políticos corruptos que só se lembram de quem os elege nas vésperas das eleições, utilizando-se de todos os tipos de seduções para iludir os menos avisados e conseguir seu cargo eletivo, garantindo-lhes mordomias que só eles conseguem, durante mais 4 anos.
Ao ser obrigada a votar em candidatos que não vão fazer nada pelo Brasil, chego a sentir náuseas e revolta.
Agora, leio aqui um texto lindíssimo, que facilmente poderia ser transformado num poema. Um poema triste, desesperado, como um barco perdido e solitário, em águas de um imenso mar.
Lindíssimo este texto-poema. Adorei!
Se quiser, poderá conhecer minha página. www.spinolapoesias.spaces.live.com
beijos